- Emma! Aqui! – Mellany e o resto da turma estavam sentados na nossa mesa de sempre, bem no meio do refeitório. Sentei ao lado de Mell e Garnett, mas vi que tinha uma pessoa a mais na mesa conosco.
- Josh? Você aqui? – Eu estava sorrindo e olhei para Mellany que estava toda vermelha.
- É, anh, bom, é legal ficar com Mellany, digo, vocês – Ele estava gaguejando! Que fofo, ele gostava da Mell.
- Ah, que bom então. – ele rapidamente devolveu o sorriso.
Mellany me cutucou e falou baixinho só para eu ouvir.
- Como foi lá com o Loggan? – Ai meu Deus! Eu não pensei no que eu diria pra ela sobre isso, eu não podia contar a verdade.
- Anh, foi tudo bem. Ele só queria dizer umas coisinhas lá.
- Ah, mas está tudo bem entre vocês? Porque ele não está aqui conosco e ele não olhou em nenhum momento pra você?
- Na verdade, a gente brigou. Eu disse que ia pensar sobre nós. E acho que eu o magoei. – Lancei um olhar triste para Loggan, ele parecia estar mal. E eu não gostava de vê-lo assim.
- Homens. – Mellany disse, já voltando para a sua posição normal e sorrindo.
- Loggan.
- E então Emma, como está você e Loggan? – Jeny perguntou com a sua voz super fininha e encantadora.
- Tem sempre aquelas discussões, mas estamos bem. – Menti.
- Ei, e sobre o trabalho de História, aquele teatro... – Manson lembrou a todos, porque pela cara deles, nem um tinha se lembrado.
- Ah shit! Eu me esqueci completamente! – Mellany disse mexendo em seus cabelos negros.
- Não faço a mínima idéia – Garnett parecia indiferente.
- Ei, não olha pra mim, não sou a cabeça da turma – Jeny disse olhando para mim.
- Eu acho que a gente devia fazer alguma coisa mais divertida ou diferente, que atraia a atenção de todos – todos olharam para mim, e eu continuei – geralmente esses trabalhos são monótonos que a maioria de quem está assistindo dorme. E a nota desse trabalho vai pro boletim. Então vamos fazer alguma coisa diferente.
- Ei Emm, não é tão fácil fazer um teatro sobre a ditadura no Brasil e que seja divertido. – Manson impôs.
- Mas não precisa ser necessariamente divertido, só sendo alguma coisa que impressione as pessoas já está ótimo.
- É, eu concordo com a Emm. – Mellany e Jeny disseram juntas.
- Bom, então ta né – Manson acabou aceitando. Eu estava cheia de idéias pra esse teatro, sabe, ia ser divertido.
- Eu acho que posso ajudar – aquela voz me cortou profundamente – Eu to sem grupo, já que o Ray foi viajar, então acho que eu poderia fazer com vocês, não é?
- é cla-claro Loggan. – Jeny gaguejou. Sim, eu sabia que ela tinha uma grande queda por ele, por isso no começo ela não ia muito com a minha cara, mas agora estamos de boa. Qual é? Quem não tinha uma queda por ele? Ah, tenho que parar de pensar essas coisas. Quinto elemento.
- Sem problemas – Mellany disse, olhando para mim como quem diz: “Ele pode né?”
-Por mim tudo bem – Garnett estava olhando pra Manson quando disse isso, e é claro que não estava tudo bem.
- Emm? – Mais uma vez, a voz de Loggan me cortou – Tudo bem por você?
- Ah, sim, é claro Logg. – ele sorriu, e eu também.
No resto do intervalo ficamos combinando o dia e a hora que íamos começar a ensaiar, e ficou combinado que seria na quinta-feira na casa do Loggan. Eu nunca tinha ido a casa dele. Será que era uma casa normal ou tinha alguma coisa diferente? Qual é Emma, se fosse diferente ele não ia nos chamar pra irmos a casa dele. Mas indiferente, eu precisa me acalmar e ir falar com ele. Olha, não quero saber se ele é vivo ou não, se ele tem mais de 200 anos, o que importa agora é o que eu sinto por ele. E é uma coisa infinita. Eu o amo. E quero ficar com ele.
Fui até o pátio da escola. Eu sabia que ele estaria lá. É como se eu pressentisse isso. E bom, acertei. Ele estava sentado no banco virado de costas pra mim.
- Pode vir Emma, eu não mordo. – como ele sabia que eu estava ali? Quinto elemento, é claro. Aproximei-me até chegar ao seu lado.
- Você anda pensando muito no quinto elemento não é? – Droga, ele fez de novo.
- Você quer parar de ficar usando esse quinto elemento pra ver o que eu penso?
- É impossível. Eu me preocupo com você.
- Eu consegui viver 16 anos sem perigo antes de você aparecer, então...
- você tem alguma coisa pra me dizer, Emma?
-Anh, bem, tenho. Olha Loggan, eu pensei sobre, anh, aquilo. E bom, você foi a melhor coisa que me aconteceu desde que eu cheguei aqui. Eu pensei que ia ser horrível mudar de cidade. Mas não, você me mostrou que não. Independente do que você seja, eu quero ficar contigo. – nossa, fui muito precisa, não?
- Você sabe que isso é errado né?
- Sei, mas quero correr o risco.
- Anh, que bom. Porque eu também. – ele se aproximou de mim e me beijou. O melhor beijo do mundo. O beijo de desculpas e reconciliações, um beijo quente e sexy. Eu o amava.
Ficamos no beijando por longas horas, até que meu celular tocou e interrompeu aquele momento delicioso.
- Alo? – eu atendi meio zonza.
- Oi amor! Que saudades de você, a Anna disse que você ia me ligar, mas não ligou, o que aconteceu? - Eu não acredito que era o Bryan!
- Bry? Pera aí. – coloquei a mão na frente do telefone. – Desculpa Logg, é importante. Eu já volto.