Entrei na área do compus nervosa. Loggan estava à uns 20 metros de mim, de costas e com a cabeça baixa. Punhos cerrados. Mesmo estando muito quieta, ele percebeu a minha presença e começou a falar alto e claro.
- Em 1815, meu pai era um dos embaixadores que estavam no Congresso de Viena.Naquela época, estava acontecendo uma série de assassinatos na região. Era uma coisa mais confidencial, e meu pai foi vítima. Ele estava indo pra casa, depois do trabalho, eu um cara lhe deu um tiro em frente de casa. O tiro estava quase o matando quando ele me entregou uma carta em espanhol. Como não sabia o que estava escrito fui até um amigo próximo de meu pai. Quando ele leu a carta ele praticamente surtou. Então ele me falou o que estava escrito. No começo eu não acreditei, não poderia ser possível aquilo. Fui procurar em livros antigos e vi que estava errado era possível sim existir pessoas que após a morte ficam sobrecarregadas com uma espécie de missão. Bom, aí entro eu e Ray.- Ele se virou e se aproximou de mim numa velocidade inumana - Quando descobri isso, fui contar para meu irmão, Raymond. Minha mãe já estava quase morrendo, pois quando meu pai morreu, seu desgosto foi muito. Eu, então, me dei uma facada no peito. Com o intuito de saber se era ou não verdade o que a carta dizia. Quando isso aconteceu, eu pude ver meu corpo no chão, eu estava flutuando. Não sei pra onde fui, pois adormeci. Mas quando acordei estava num lugar escuro, que rapidamente se transformou no lugar mais lindo que eu já vi. Era tudo verde, com flores e frutas nas árvores, ao meu lado estava meu pai. Eu era jovem, tinha 17 anos, virgem, e ainda não conhecia nada da vida. Enfim, meu pai me explicou que a mulher de seu tataravô era uma espécie de Deusa, e quando seu marido veio a falecer, jogou uma “praga” em toda a família. A vida normal após a morte. Quando qualquer pessoa da família States morresse, ela teria que completar uma missão dada pelo seu pai para descansar em paz. Meu pai disse que a minha missão e de Ray era a mesma, e quando Ray morresse poderíamos começar. Ray morreu 5 dias depois. Então aí tudo mudou. Resolvemos ir para o Japão, ficamos 50 anos lá, depois mais 50 anos em Paris até voltarmos para o Japão e ficarmos 65 anos lá. Fomos para a Ásia, ficando 36 anos lá e agora finalmente, 4 anos aqui.
Não tinha palavras pra descrever aquilo. Eu não conseguia falar. Não conseguia raciocinar direito. Era como se meu corpo, minha cabeça e meu coração estivessem paralisados. O que eu ouvi era, era, era uma coisa que eu não podia explicar. Ele continuou falando, se afastando de mim.
- Não podíamos contar pra ninguém porque se não só piorava as coisas. Ray ficou nervoso quando me apaixonei por você porque achamos que quando alguém ficasse sabendo, aconteceria o pior. Mas andei pesquisando e não, podemos contar, mas contar para alguém que tem algum laço com a família, e você tem. Você estava ligado a mim. Olha Emma, eu amo você. Amo de verdade e entenderei se você estiver confusa e quiser terminar. Mas não se esquece que eu te amo.
Eu estava literalmente confusa e não sabia o que falar. Não sabia se podia acreditar naquilo, não sabia se eu queria correr e abraçá-lo de felicidade por ele confiar em mim e me amar ou se eu queria correr para casa e esquecer tudo isso. Era muita coisa pra mim. Uma pessoa imortal que tem mais de 200 anos? Meu Deus.
- Emma, olhe – Loggan se afastou de mim e começou a correr em círculos ao meu redor. Era incrível. Era como se um avião estivesse explodindo ou sei lá. Tinha muita fumaça e eu não conseguia quase vê-lo. Então ele parou. Daí aconteceu tudo muito rápido. Uma explosão tomou conta de todo o campus. Era estranho porque eu podia sentir cheiro de água, terra, fogo e vento. Um em sintonia com o outro.
- Você tem poderes especiais também? – Gritei ironicamente.
- Não, é só uma afinidade com os elementos. Sabe, coisa de anormais. – ele me lançou aquele olhar sedutor e mega atraente. Peraí, ele disse afinidade? Ele tem afinidades com os 5 elemen... água, terra, fogo e vento...? E o quinto elemento?
Com um subido movimento com as pernas ele veio correndo até mim.
- Bom, o espírito é o que está dentro de nós. O que faz eu me mover com essa velocidade e outras coisinhas mais. O quinto elemento.
- É, o quinto elemento – repeti. – Olha Loggan, eu também gosto muito de ti, mas eu preciso pensar. É muita coisa pra mim. Desculpa. – E fui me afastando até chegar à entrada do colégio. Ah merda. Estava chovendo e Loggan era minha carona. Como vou pra casa agora? Que pergunta fácil, ora, a pé.
Na saída do colégio encosta perto de mim a tão familiar BMW preta. Loggan abaixou o vidro.
-Entra Emma, está chovendo, vai pegar uma gripe.
Sem pensar duas vezes entrei no carro. Ah! O doce aroma do perfume de Loggan me aprisionou. Eu queria poder agarrá-lo, beijá-lo e possuí-lo. Para com isso Emma! Ele nem é vivo!
- Eu sou vivo – Loggan disse quebrando o blá blá blá na minha cabeça e eu me estremeci de dor, por ele. Ele estava sorrindo.
- O que, agora você lê mentes também?
- O quinto elemento. O espírito.
- Ah, é claro. – ótimo. Arghr. Ele percebeu que eu tenho desejo por ele.
E permanecemos calados até chegarmos na minha casa. Desci do carro e me apoiei na porta aberta.
- Olha Loggan, eu gosto de você. Mas... É muita coisa pra mim, preciso pensar.
- Emma, eu sei disso. Não é fácil pra você, eu entendo perfeitamente. E não quero obrigar você a nada. Você faz o que bem entender.
Sorri e fechei a bati a porta do carro. Como eu o queria. Cheguei em casa e deitar.
Acordei com o meu telefone tocando. Arghr, eu tava morrendo de sono ainda e podia sentir minha cara inchada.
- Alo?
-Emma, oi filha!
- Oi mãe – disse tentando me animar um pouco.
- Filha, seu pai recebeu uma oportunidade de emprego em Arabi. Estamos indo lá fazer uma entrevista, quer ir junto? Voltamos amanhã de noite.
O que?! Mudar de cidade de novo? Para Arabi? Arabi nem é mesmo uma cidade! É uma região censo-designada, e tem o que, uns 8093 habitantes? Arabi fica uns 6 km de distancia de Nova Orleans. Não, de jeito nenhum vou praquela cidade.
- Mãe, vem pra casa, a gente conversa melhor aqui. Onde vocês estão na verdade?
- Nós estamos aqui em frente à praça principal esperando o Wesley. Filha, a gente não tem tempo de ir, são 3 horas até lá. Você quer ir ou não?
- Não mãe, eu espero vocês em casa.
- Está bem filha, até amanhã, se cuida. Beijos
- Ta mãe, Beijos
Eu não podia acreditar nisso! Eu estava adorando morar aqui em Nova Orleans. Meu pai foi despedido de Boston Wearing por motivos insanos, viemos para cá, conheci Mellany, Garnett, Manson e Jeny. Conheci Loggan, o ser anormal. O lindo e perfeito ser anormal, que todas as vezes que eu o via tinha vontade de correr e jogar-me em seus braços fortes. Tudo o que eu queria agora era possuí-lo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário