Loggan acendeu a luz. Era tudo muito velho e empoeirado. Certamente ali era o depósito. Tinha muitos livros velhos, rasgados, despedaçados. Andei um pouco e dei de cara com um livro. Um livro que me impressionou muito quando o li ano passado. Comprei-o e depois reli muitas vezes mais. Esfoliei, o cheiro de poeira era muito forte. Olhei de novo pra capa. Romeu e Julieta – Volume 1. Fiquei distraída olhando o livro e não vi onde Loggan estava.
- Loggan? Onde você está? – Nada.
- Aqui, Emm. – Ele colocou a cabeça pra fora de uma portinha escondida atrás dos livros.
Dentro da salinha tinha um baú. Era grande, marfim e estava muito sujo. Loggan pegou a chave de dentro do seu casaco e o abriu. Dentro do baú tinha muitos outros livros velhos. Tirando uns de cima dos outros, pegou um livro de capa preta, com uma pequena escrita no seu canto superior esquerdo: States.
- Você deve estar brincando – Olhei para ele – Vocês tem um livro da família? Em Mississipi?
- Foi meu avô que escreveu. Quando ele descobriu o que estava acontecendo com a família, ele não sabia o que fazer. Então ele veio para cá, Mississipi. Então nessa biblioteca ele descobriu tudo sobre essa maldição e escreveu esse livro, nunca vou me esquecer das palavras dele há uns 200 anos atrás: “Quando vocês descobrirem o que vocês realmente são entenderão tudo. Com certeza acontecerão coisas inacreditáveis com vocês, mas deixe sua mente os guiar, que acharão a solução.”
- Então quer dizer que você não sabia disso? Quer dizer, literalmente. Você não tinha a mínima idéia desse lugar? Apenas deixou sua mente o guiar? – Pedi ofegante.
Ele assentiu.
- Poxa Loggan, antes eu achava isso uma idiotice, e não estava totalmente disposta a te ajudar, mas depois disso, tenho certeza do eu tenho que fazer. Vamos derrotar esse cara! – Eu estava mostrando mais animação do que realmente sentia.
Ele deu um sorriso abalado, pegou o livro com uma mão e com a outra segurou a minha. Caminhamos até a saída e entramos no carro.
Enquanto Logg dirigia o carro em alta velocidade, fiquei pensando no que a minha vida tinha se tornado nesses últimos tempos. Cheguei à Nova Orleans achando que minha vida seria um tédio e não me acostumaria com o lugar. Aí conheci Mell, Garnett, Manson, Jeny, Josh e, meu namorado, Loggan. Pensei que teria uma vida como em Boston, com Anna, Lourenie e, meu ex-namorado, Bryan. Mas então descubro que Logg é um herdeiro de uma maldição, na qual ele precisa cumprir uma missão para descansar em paz e ele tem mais de 100 anos! Bom, isso me fez lembrar uma coisa.
- Loggan, o que vai acontecer quando cumprir a missão? – Senti seus olhos em mim.
- Vou ter a vida que deveria ter.
- O que você quer dizer com isso?
- Emma, eu não deveria estar aqui. Eu deveria estar enterrado! E eu não devia colocar você nessa. Eu te amo. E eu devia ter me afastado de você antes de me apaixonar. Agora você está em perigo, graças a mim! – Pude ver uma lágrima escorrendo nele. E só percebi que estava chorando também quando as lágrimas encostaram-se a minha boca.
Ignorei o que ele disse sobre eu estar nessa e disse: - Loggan, quando isso acabar você vai... – Não consegui terminar de dizer, desabei em choro.
- Sim, meu amor, vou morrer.
Aquilo fez eu chorar ainda mais. Tirei o sinto de segurança e me aconcheguei ao seu ombro. Adormeci e sonhei.
Meu sonho era confuso, mas ao mesmo tempo era muito real. Eu estava em uma floresta, e podia ouvir barulho de água, animais, sentir cheiro da terra, estava muito quente, mas o vento estava forte. Caminhei em direção do barulho da água mais ao fundo, foi então que eu vi. O que eu estava vendo era um tipo de vulto matando algum animal. Incrivelmente havia uma placa lá, escrito China. Quando me dei conta do que era aquilo, era tarde de mais para fugir. ELE veio numa velocidade inumana para perto de mim. Agi sem pensar, uni os 5 elementos e joguei contra ele, fazendo com que ele evaporasse.
Acordei suando. Eu não reconheci o lugar, estava numa cama, em uma parede tinha uma televisão de plasma, nos criados-mudos estavam minhas coisas. Pude ouvir o barulho do chuveiro.
- Loggan? – Me levantei da cama e fui até a porta do banheiro.
- Estou quase terminando.
- Preciso te contar uma coisa.
- Fale amor.
- Eu sei onde ele está.
- Quem?
- Ele, Loggan. Ele.
- Como?
Contei meu sonho para ele. Ele parecia preocupado. Depois, disse apenas uma coisa.
- Compre passagens, vamos para a China.
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